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terça-feira, 17 de abril de 2012

Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL 2011) – Parte III


Consumo de bebida alcoólica aumenta com escolaridade


Pesquisa do Ministério da Saúde revela que consumo exagerado é maior entre os homens e concentrado na faixa etária dos 18 aos 34 anos

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que o consumo abusivo de bebida alcoólica (ingestão em uma mesma ocasião de quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais doses para homens), dentro de um período de 30 dias, foi maior entre as pessoas com mais de 12 anos de estudo (20,1%) do que entre os que estudaram até oito anos (15,9%). Entre as mulheres, a diferença foi ainda mais considerável, variando de 11,9% para as mulheres com 12 ou mais anos de estudo a 7,6% para aquelas com até oito anos de estudo.

Leia tabela com dados.

Ouça mais sobre o tema na 
Web Rádio Saúde.

Os números são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2011). O estudo retrata os hábitos da população brasileira e é uma importante fonte para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde preventiva. Foram entrevistados 54 mil adultos em todas as capitais e também no Distrito Federal, entre janeiro e dezembro de 2011.

De acordo com a pesquisa, ao considerar a população em geral, sem distinção de sexo, a frequência do consumo abusivo de bebidas alcoólicas no período de 30 dias foi de 17%. A proporção entre os homens é quase três vezes maior (26,2%) do que em mulheres (9,1%). O percentual nacional não sofreu variação desde a primeira edição da pesquisa realizada em 2006.

Os números também apresentaram diferença em relação à idade. A frequência de consumo abusivo de bebida alcoólica foi maior entre os jovens de 18 a 24 anos (20,5%). Na população com idade a partir de 65 anos essa proporção é de apenas 4,3%.

Em relação às diferenças entre os sexos, observa-se que o percentual de homens com idade entre 18 a 24 anos que relataram consumo abusivo de álcool (30,3%) é quase três vezes maior do que quando comparados às mulheres nesta mesma faixa etária (11,5%).


Ações para reduzir o consumo

O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, lançado em abril de 2011, com metas até 2022, traz ações de promoção à saúde e prevenção do uso prejudicial do álcool.

Dentre as ações propostas estão o apoio ao aumento da fiscalização do comércio ilegal de venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos e o fortalecimento das ações educativas previstas no Programa Saúde na Escola (PSE) voltadas para a redução do uso de álcool entre as crianças e adolescentes.

Pretende-se também articular a rede de cuidado da Assistência Social (CRAS, CREAS) e equipes de apoio para o cuidado aos usuários dependentes de álcool, apoiar o aumento dos impostos sobre bebidas alcoólicas e monitorar a publicidade e propaganda de bebidas alcoólicas. Prato do brasileiro tem dieta rica em gordura. Pesquisa do Ministério da Saúde detalhou hábitos do brasileiro à mesa: poucas frutas e hortaliças A população brasileira se alimenta inadequadamente e consome gordura saturada em excesso: 34,6% não dispensam a carne gordurosa e mais da metade (56,9%) bebe leite integral regularmente. Os refrigerantes também têm consumidores fiéis, 29,8% dos brasileiros tomam a bebida no mínimo cinco vezes por semana.



sexta-feira, 16 de março de 2012

Governo vai investir R$ 4 bilhões em ações para enfrentar o crack


 Medidas ampliam atendimento de saúde aos dependentes e reforçam enfrentamento ao tráfico


Brasília, 07/12/2011 (MJ) - A presidenta Dilma Rousseff e os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, lançaram, na quarta-feira (07/12), um conjunto de ações do governo federal para enfrentar o crack e as outras drogas. Com investimento de R$ 4 bilhões da União e articulação com estados, Distrito Federal e municípios, além da participação da sociedade civil, a iniciativa tem o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar atividades de prevenção. 
Durante a cerimônia, a presidenta destacou a importância da atuação conjunta dos poderes públicos – União, estados e municípios – com a sociedade nas medidas anunciadas. Para ela, é esse “pacto” que vai garantir o sucesso das ações. “Nós aplicamos um grande esforço do governo para construir uma política que seja capaz de lidar com os diferentes aspectos dessas questões, que são droga, violência, crime organizado e a conseqüente destruição da família”, destacou a presidenta.
Com o mote Crack, é possível vencer, as ações estão estruturadas em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção.
O primeiro inclui ampliação e qualificação da rede de atenção à saúde voltada aos usuários, com criação da rede de atendimento Conte com a gente.
No eixo autoridade, o foco é a integração de inteligência e cooperação entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais, a realização de policiamento ostensivo nos pontos de uso de drogas nas cidades, além da revitalização desses espaços.
Também nesta quarta-feira, o Executivo envia ao Congresso Nacional dois projetos de lei, um que altera Código de Processo Penal para acelerar a destruição de entorpecentes apreendidos pela polícia e agilizar o leilão de bens utilizados para o tráfico de drogas, e o outro que institui o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp).
Já o eixo prevenção prevê ações nas escolas, nas comunidades e de comunicação com a população.
“O principal alicerce dessas ações pode ser resumido em uma única palavra: integração de políticas públicas”, sitentizou o ministro José Eduardo Cardozo. Na sua opinião, as metas são audaciosas e que irão materializar um plano capaz de enfrentar a questão. “O crime organizado é um problema sim, mas o Estado brasileiro é mais forte e nós vamos derrotá-lo porque temos condições efetivas para fazê-lo”.

quinta-feira, 1 de março de 2012

MS lança portarias que priorizam o enfretamento ao crack e outras drogas


O Ministério da Saúde lançou ao longo do mês de setembro e início de outubro, diversas portarias e editais que priorizam a atenção integral para usuários de crack, álcool e outras drogas.

Considerando o cenário epidemiológico dos últimos anos, que mostra a expansão do consumo no País de substâncias psicoativas, especialmente do álcool, inalantes e cocaína em suas diferentes apresentações como cloridrato, pasta-base, crack e merla, em associação a um contexto de vulnerabilidade de crianças, adolescentes e jovens, o Ministério da Saúde, viu a necessidade de intensificar, ampliar e diversificar as ações orientadas para a prevenção, promoção da saúde, tratamento e redução dos riscos e danos associados ao consumo de substâncias psicoativas.

Bem como, ampliar o acesso ao tratamento hospitalar em hospitais gerais das pessoas com transtornos decorrentes do consumo de álcool e outras drogas. Para isso, foram lançadas, no dia 20 de setembro de 2010 três importantes portarias:

A Portaria MS/GM No 2.841, que institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas – 24 horas – CAPS AD III. Destinado a proporcionar atenção integral e contínua a pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo e da dependência de álcool e outras drogas, o espaço funcionará durante as 24 horas do dia, inclusive nos feriados e finais de semana. A equipe técnica para atuação poderá ter, em sua composição, o Terapeuta Ocupacional. Tal medida visa, entre outras coisas, intensificar, ampliar e diversificar as ações orientadas para prevenção, promoção da saúde, tratamento e redução dos riscos e danos associados ao consumo prejudicial de substâncias psicoativas.

A Portaria MS/GM No 2.842, aprova as Normas de Funcionamento e Habilitação dos Serviços Hospitalares de Referência para a Atenção Integral aos Usuários de Álcool e outras Drogas - SHRad. A partir desta portaria, os Hospitais que tem interesse em se habilitar como de referencia para a atenção aos usuários de álcool e outras drogas, e as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, em seus respectivos âmbitos de atuação, deverão adotar as medidas necessárias à organização e habilitação das unidades, que estão previstos na Portaria Nº 480/SAS/MS, de 20 de setembro de 2010.

A Portaria MS/GM No 2.843, que cria no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, os Núcleos de Apoio à Saúde da Família - Modalidade 3 - NASF 3, com prioridade para a atenção integral para usuários de crack, álcool e outras drogas. Os NASF 3 são estabelecimentos que visam promover a atenção integral em saúde e saúde mental, prioritariamente para usuários de crack, álcool e outras drogas na Atenção Básica para Municípios com porte populacional menor que 20.000 (vinte mil) habitantes, devendo obedecer ao disposto na Portaria Nº 154/GM/MS, de 24 de janeiro de 2008, que cria os NASF.


Lei Seca



Padilha pede apoio da Câmara para 'tolerância zero'

Ministro da Saúde visita presidente da Câmara dos Deputados, a quem pede apoio para a aprovação de projeto de lei que torna Lei Seca ainda mais rigorosa. Só em 2010, o Brasil registrou mais de 145 mil internações no SUS e 40 mil óbitos decorrentes de acidentes de trânsito.

Nesta terça-feira (28), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pediu ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, apoio para a votação do Projeto de Lei 2.788/11 – oriundo do Senado – que estabelece a chamada “tolerância zero” para o consumo de álcool por motoristas.  Padilha explicou que este PL está entre as grandes prioridades do Ministério da Saúde, lembrando que, só em 2010, foram registrados mais de 40 mil óbitos relacionados a acidentes de trânsito. O ministro também destacou que, neste mesmo ano, o Brasil ultrapassou 145 mil internações no Sistema Único de Saúde decorrentes de acidentes de trânsito.
“Só entre as mulheres, aumentou 16 vezes o número de vítimas fatais por causa de acidentes com motocicletas”, alertou. Alexandre Padilha observou também que, ultimamente, a maior redução de acidentes de trânsito foi registrada justamente nos estados que aplicaram a Lei Seca com mais rigor. “Por isso, defendemos que não se deve dirigir após consumir bebida alcóolica, seja qual for a quantidade”, ressaltou. O ministro considerou ainda a importância de os agentes de trânsito serem capacitados para melhor reconhecerem situações em que motoristas dirigem alcoolizados.
O PL 2.788/11 tramita na Câmara dos Deputados em regime de prioridade e ainda deve ser submetido à primeira comissão (de Viação e Transportes). Em seguida, será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e, posteriormente, pelo Plenário.
Alexandre Padilha também destacou outras duas propostas prioritárias para o Ministério da Saúde que estão em tramitação na Câmara. Uma delas é a Medida Provisória 557/11, que cria o cadastro nacional de gestantes para a prevenção da mortalidade materna. O cadastro será uma ferramenta importante para assegurar o sucesso das ações de saúde para as mulheres. O ministro também defendeu a aprovação do projeto que cria medida semelhante a uma Lei de Responsabilidade Fiscal para a Saúde, responsabilizando os gestores do SUS que não aplicarem corretamente os recursos destinados à saúde pública.

Leia mais sobre álcool e outras drogas

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS



No entendimento da Política do Ministério da Saúde para a Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas, “a realidade contemporânea tem colocado novos desafios no modo como certos temas têm sido habitualmente abordados, especialmente no campo da saúde. Isto se dá pelo fato de que os objetos sobre os quais intervimos apresentam-se complexos, exigindo de nós o esforço de evitarmos simplificações reducionistas. Este é o caso do tema “álcool e outras drogas”, que nos indica a necessidade de uma ação não apenas ampliada, mas para onde devem concorrer diferentes saberes e aportes teórico-técnicos”.
Conforme a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, “o consumo de drogas tem se mostrado um dos mais complexos e inquietantes fenômenos de nossos tempos, exigindo que o governo e a sociedade partilhem a responsabilidade na busca de alternativas que levem à sua melhor compreensão e abordagem.
A construção da agenda do atual governo para responder a este desafio, foi fundamentada pela integração das políticas setoriais com a política nacional sobre drogas, a descentralização das ações, o estabelecimento de parcerias com a comunidade científica e organizações sociais, além da ampliação e do fortalecimento da cooperação internacional voltados ao tema.
A estratégia de governo está definida em três eixos de atuação, articulados e coordenados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). As ações emanadas destes eixos, desenvolvidas em parceria com diversos atores do governo e da sociedade, permitem:

  • A realização de um diagnóstico situacional, sobre o consumo de drogas, seu impacto nos diversos domínios da vida da população e as alternativas existentes. Este diagnóstico vem se consolidando, por meio de estudos e pesquisas de abrangência nacional, na população geral e naquelas específicas que vivem sob maior vulnerabilidade para o consumo e o tráfico de drogas.
  • A capacitação dos atores sociais que trabalham diretamente com o tema drogas, e também de multiplicadores de informações de prevenção, tratamento e reinserção social. Esse esforço tem permitido a formação e a articulação de uma ampla rede de proteção social, formada por conselheiros municipais, educadores, profissionais das áreas de saúde, de segurança pública, entre outros.
  • A implantação de projetos estratégicos de alcance nacional que ampliam o acesso da população às informações, ao conhecimento e aos recursos existentes na comunidade. Também no cenário internacional, o Brasil além de participar dos principais fóruns de discussão sobre o tema vem fomentando a cooperação por meio de acordos com organismos internacionais e com países das Américas, Europa e África”. 
De acordo com a Cartilha do SENAD, o Brasil tem aumentado seu consumo de drogas, principalmente de bebidas alcoólicas, nos últimos vinte anos. O uso de maconha e cocaína/crack também tem aumentado. Mas não temos uso digno de nota de heroína e morfina nem de metanfetamina. O uso de drogas no Brasil sempre foi tão discreto quando comparado ao de outros países, que esse crescimento ainda não nos coloca no ranking das sociedades de maior consumo. O campeão de uso de drogas é os Estados Unidos, seguido do Canadá e de vários países europeus. É muito importante observar, no entanto, que nosso uso de drogas, mesmo que discreto no cenário internacional, está associado a um número muito grande de problemas, principalmente violência, acidentes e AIDS.

Fontes: